Pterogliders – A Origem da Wind Company

A história da escola se confunde com os primórdios do parapente brasileiro, como vão lembrar bem os pilotos antigos que iniciaram nessa época, sobreviveram e estão voando até hoje!


O Kiko Feitosa voava de asa e saltava de paraquedas no final dos anos 1980, quando tornou-se um dos pioneiros do parapente no estado de SP, ao mesmo tempo que o Roberto Hering em Caçapava e Rui Marra e Bruno Menescal no Rio de Janeiro. No final da década de 1980 já dava aulas de parapente, quando foi meu instrutor, antes de eu vir a fundar fundar a Wind Company em 1992.

Stefan dando aulas em 1992 para uma das primeiras turmas da Wind Company.

Stefan dando aulas em 1992 para uma das primeiras turmas da Wind Company.

Este vídeo, recuperado de uma fita VHS gravada pelo Carlos Padilha, aluno Wind Company de 1992, foi editado e legendado por mim, dando uma boa noção de como foi esse início, e olha que eu não peguei esse bonde no terminal, já estava uns dois pontos pra frente!

 

 

Eu era montanhista formado pelo CAP, Clube Alpino Paulista, com uma tradição de os iniciantes passarem por todo um processo de aprendizado antes de tornarem-se guias, exigindo um período de aspirante a guia. Tratei então de ajudar o Kiko e aprender o máximo sobre a didática do parapente, o que não era muito nessa era “pré-internética” em que o paraglider havia sido recém inventado.

A apostila que ganhei tinha umas 20 páginas e era de asa-delta! O Kiko era um instrutor nato, aliás foi meu instrutor de auto-escola, além de piloto bastante estiloso desde o início. Mas não tinha grande coisa de teoria para ensinar, foi aqui que começou a parceria. Logo produzi minha primeira apostila, pondo no papel de forma sistematizada aquilo que vivíamos nas aulas práticas, num processo que resultou em sinergia infelizmente rara na didática, quando geralmente se dissocia lastimavelmente a teoria da prática.

Desde então passamos a trabalhar sempre em parceria, seja em escolas diferentes ou associados, como quando fundamos a Ar Livre em 1995, junto com o Mingo (Domingos Dell Acqua). A apostila foi crescendo e evoluindo, acompanhando o desenvolvimento vertiginoso dos equipamentos e técnicas de pilotagem, não sendo apenas uma simples apostila, mas realmente um método didático, que inclusive se espalhou pelo país todo, embora de forma heterogênea, em algumas áreas mais consolidado, em outras não tanto.

A partir de 2002 parei de dar aulas, dedicando-me mais ao montanhismo e passando até alguns anos sem voar. Mas nunca parei de acompanhar o desenvolvimento do parapente e, enquanto isso, o Kiko manteve viva a Wind Company, voando e ensinando inclusive no Chile, Argentina e na Europa.

Agora em 2016 resolvi voltar de vez para o voo, para as aulas e para a didática, agora com mais e melhores ferramentas como os vídeos e a WEB, sem falar nos espantosos equipamentos de voo atuais, de modo que a escola ressurge de cara nova, embora com a essência da parceria que a originou.

Se você é piloto das antigas, seus comentários e histórias serão preciosos para nós, assim como fotos e, quem sabe, vídeos de todas as épocas do voo. E se você é mais novo nos ares, suas opiniões também são indispensáveis para melhorarmos sempre nosso jeito de ensinar agora e no futuro.

Stefan Semenoff

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