Glossário de Gírias e Termos Técnicos do Parapente

aerologia – Em meteorologia, é o estudo da atmosfera nas camadas mais altas, onde está livre do atrito com o solo. Para os voadores, é o comportamento do ar e dos ventos, de uma forma geral.

alongamento – Número que expressa o quanto uma asa é estreita ou larga em relação à envergadura. Resulta da divisão do quadrado da envergadura pela área vélica.

alta performance – Refere-se a velocidade e planeio dos equipamentos de competição, cujo maior desempenho é obtido em detrimento da estabilidade e facilidade de pilotagem, tornando-os inadequados para pilotos novatos e mesmo intermediários. Apenas pilotos profissionais conseguem tirar proveito da alta performance com níveis toleráveis de segurança.

aproximação – Refere-se geralmente a manobras de aproximação, ou seja, curvas feitas próximo ao pouso, para perder altura com a finalidade óbvia de pousar.

área projetada – É a área que o velame, em voo, projeta perpendicularmente sobre um plano.

área real – Também chamada de área plana, é a area abrangida pelo velame estendido num plano.

área vélica – Área do velame, geralmente expressa em metros quadrados. Ver área real e área projetada.

arrasto – Atrito com o ar.

asa – Superfície com formato aerodinâmico capaz de produzir sustentação. O paraglider é a única asa sem estrutura rígida.

asas rígidas – Todas as asas (asas-delta, asas de avião, etc.), exceto o paraglider.

baiana – Ver couve-flor.

batoque – Alças ligadas às linhas de freio, por onde se comanda o paraglider. São dois, direito e esquerdo. Também são chamados de freios, embora não sirvam apenas para frear.

bocas – Aberturas das células no bordo de ataque, por onde entra o ar que mantém o velame inflado durante o voo.

bombada – Em pilotagem: Ação ampla e pausada sobre o batoque. Pode ser parte do processo de recuperação de colapsos, ou usada para desembaraçar linhas ou fazer cair algo enroscado nelas. Em aerologia: Rajada de vento forte gerada por térmicas. Dizemos, para nos referir ao “nascimento” das correntes térmicas sobre o solo, que elas estão bombando.

bombar – Ver bombada.

bordo de ataque – Parte dianteira da asa.

bordo de fuga – Parte trazeira da asa.

células – Divisões internas do velame, no sentido transversal (perpendiculares à envergadura da asa), que se enchem de ar em voo, mantendo o perfil aerodinâmico. São fechadas no bordo de fuga, abertas no de ataque e todas interligadas por aberturas nas paredes laterais.

células fechadas – Algumas células próximas às pontas da asa tem as bocas fechadas, com a finalidade de diminuir o arrasto e aumentar a pressão interna.

colapso – Ou pane, são situações em que, devido a turbulências, falhas estruturais, erros de pilotagem ou mesmo ação proposital do piloto, para fins de simulação, descida rápida ou acrobacia, o paraglider sai da configuração normal de voo, geralmente apresentando claras deformações do velame. Ver manobras.

condensação – Passagem da umidade no ar do estado gasoso ao líquido, formando nuvens, que ao contrário do que o leigo geralmente imagina, são água em estado líquido ou cristais de gelo. Antes de condensar a umidade é invisível na atmosfera.

corda – Linha reta imaginária ligando os bordos de fuga e ataque de uma asa. Ou seja, a largura da asa, perpendicular a envergadura.

cordim – Cordins ou linhas, são as cordinhas que ligam o velame aos tirantes que, por sua vez, conectam-se à selete através de mosquetões.

couve-flor – Ou baiana, chamamos assim ao parapente recolhido sem dobrar, carregado na mão com a selete (cadeirinha) vestida.

crase – Sinal sem evidente utilidade prática, do qual tenho um saco cheio, para apanhar aos punhados e espalhar aleatoriamente sobre os “As” ao escrever, esperando que alguns, por sorte, se conformem a misteriosas e esotéricas regras que, supostamente, os fariam trazer algum benefício à clareza ou compreensão do texto.

cravete – Fechamento do velame a partir da parte central do bordo de ataque, com as pontas avançando à frente até tocarem-se.

croos-country – Voos de longa distância sem local de pouso pré-programado, a intenção é ir o mais longe possível.

decolagem – Momento em que os pés do piloto deixam de tocar o chão, após correr ou caminhar contra o vento em direção ao declive. Ver inflagem.

derivar – Desviar da rota, pela ação do vento.

desencanar – Conformar-se em desistir da decolagem, devido a condições atmosféricas desfavoráveis.

dust devil – Ou apenas “dust”, redemoinho de vento levantando folhas e poeira. Vem do inglês, “demônio de poeira”.

envergadura – Distância medida entre as pontas da asa.

eólico – Causado pelo vento.

Eolo – Deus dos ventos na antiga religião grega.

estabilidade pendular – Tendência de retornar ao ponto de equilíbrio, voo normal, no caso, desde que não se ultrapasse certos limites no movimento em torno dos eixos de pendulagem.

estol – Ou stall, em inglês: Descolamento do fluxo aerodinâmico que ocorre quando a velocidade diminui a ponto de não produzir mais sustentação suficiente para manter a asa em voo. Ou seja, no momento do estol, a asa cai! O estol é provocado propositalmente no pouso, apenas rente ao solo, mas também pode acontecer acidentalmente como colapso. Ver full-stall.

experimental – Diz-se de modelos ainda em fase de testes e ajustes. Para o Ministério da Aeronáutica, o voo-livre, em sí, é experimental!

extradorso – Parte superior da asa.

fechada – Ou fechamento, deformação do velame. Ver colapso. Ver orelhas.

fechamento assimétrico – Fechamento do velame para frente e para baixo a partir de uma das pontas.

feeling – Palavra inglesa que significa sentimento, usada para definir a capacidade de perceber e avaliar pequenas alterações na pilotagem ou na atmosfera, otimizando as decisões e gestos do piloto.

força G – Unidade de aceleração, equivalente a aproximadamente 9,8 m/s². Diz-se que “o G” aumenta devido à

força centrífuga em curvas fortes e/ou aceleração em manobras de descida rápida, causando fortes sensações.

formatura – Costuma-se chamar assim o primeiro voo solo de rampa, após as fases de pista e morrinho, pois, embora ainda falte o curso intermediário, é uma realização marcante, sempre muito comemorada.

freios – Ver batoques.

front-stall – Fechamento para a frente e para baixo ao longo de todo o bordo de ataque. Ver colapsos.

full-stall – Refere-se ao estol quando provocado propositalmente em voo, sendo uma das mais arriscadas manobras acrobáticas.

gatilho – Fator que gera o desprendimento de uma “bolha” de ar quente do solo, precipitando sua ascenção. Ver térmicas.

inalado – Desprovido de asas.

incidência – Ver ângulo de incidência.

inflada – O mesmo que inflagem.

inflagem – Fazer entrar ar pelas bocas das células, tracionando os tirantes de ataque contra o vento, de modo que o velame sobe enquanto infla, adquirindo o formato de asa e ficando pronto para a decolagem. A inflagem não é necessariamente para decolar, pode ser para checagem de vela e linhas ou mesmo treinamento.

intradorso – Parte inferior da asa.

lift – Área de vento ascendente gerada pelos ventos que sopram contra uma encosta. Em inglês, lift é elevador.
linhas – Ver cordins.

macroclima – Formação, movimento e interação de grandes massas de ar sobre regiões continentais e/ou oceânicas, determinando as condições que, interagindo com o microclima, resultam nas condições atmosféricas locais.

macroftalmo – Olhos grandes e arregalados, típicos do piloto adrenado.

manobras – Geralmente se refere a manobras acrobáticas, ou seja, saídas da situação de voo normal, provocadas para fins de exibição ou treinamento. Nesta acepção, veja também colapsos. Manobras também podem ser de aproximação ou de descida rápida.

massas de ar – Grandes regiões da atmosfera que mantém características (temperatura, umidade e pressão) homogêneas. As massas de ar tem dimensões continentais e podem permanecer estacionárias por algum tempo, mas costumam deslocar-se repetindo aproximadamente certos padrões de movimento. Estejam as massas estacionárias ou em movimento, as áreas de contato entre diferentes massas são as chamadas frentes (ver).

microclima – Ventos e outras características atmosféricas, quando gerados por fatores geográficos restritos à pequenas áreas como vales, conjuntos de vales e montanhas próximos ou trechos do litoral. Ver macroclima.

miolar – Conseguir pilotar mantendo-se no miolo da térmica.

miolo – Geralmente aplicado a termais, refere-se ao centro das colunas ou bolhas, área que o piloto procura por apresentar características ascendentes mais consistentes e definidas do que nas bordas, melhorando o ganho de altura e até facilitando a pilotagem dentro da térmica.

negativa – Ou giro negativo: Colapso ou temerária manobra acrobática em que o fluxo aerodinâmico inverte-se num dos lados do velame, fazendo este lado girar para trás.

nivelamento de pilotos – Diferentes termos e formas tem sido usadas, dependendo do país ou da associação, para expressar os seguintes estágios: Aluno ou iniciante, esportivo ou intermediário e piloto de competição ou profissional. Para manter um nível de segurança aceitável na prática do esporte, o piloto só deve decolar em condições meteorológicas e equipamento condizentes com seu presente nível.

orelhas – Fazer ou fechar orelhas é dobrar as pontas do velame através da tração de determinadas linhas ou dispositivos, com a finalidade de apressar a descida e/ou melhorar a estabilidade em turbulência, devido à redução do alongamento e da área vélica.

orelhímetro – Deveria chamar-se orelhizador, pois trata-se de dispositivo para fazer orelhas, constituindo-se de tirantes adicionais aos quais são conectadas as linhas que se pretende tracionar.

pane – Ver colapso.

paraglider – Do inglês, para (para-quedas) glider (planador): Asa sem estrutura rígida, feita de nylon e linhas, em que o piloto voa sentado numa selete.

paramotor – Paraglider motorizado.

parapente – Do francês: para (paraquedas) pente (encosta ou vertente): O mesmo que paraglider. A pronúncia em francês é “parrapant”.

parakite – Espécie de pequeno paraglider, com válvulas nas bocas e outras características que o tornam próprio para, através de longas linhas, tracionar o praticante que o controla, seja na água sobre uma prancha presa aos pés, ou sobre a terra, em triciclos ou sobre a neve, em esquis ou snowboard.

patavina – Coisa nenhuma, em latim e bom português.

pendulagem – Pode ser frontal ou lateral, sendo a frontal também chamada de “golfinho” ou “balanço”. O parapente tem estabilidade pendular, pois o peso do piloto, pendurado alguns metros abaixo da asa, funciona como um pêndulo. As pendulagens podem ser provocadas por turbulências ou propositalmente causadas ou atenuadas pelo piloto, fazem parte da pilotagem e podem ser recreativas, causando fortes sensações devido ao aumento da força G (ver).

perfil virtual – A parte do perfil aerodinâmico que, devido a abertura, falta nas bocas do velame, sendo suprida pela pressão interna.

permanência – Tempo de voo prolongado pela ação de correntes de ar ascendentes, sejam térmicas ou lift.

ponto de ataque – Linha, ao longo de todo o bordo de ataque, em que o vento relativo incide sobre a asa.

porosidade – Diz-se da possibilidade do velame deixar passar ar através do nylon de que é feito. Como, para manter suas características aerodinâmicas, o tecido deve ter bem pouca porosidade, seu aumento significa desgaste, principalmente devido a exposição ao sol. Chegando a certo grau de porosidade, o velame deve ser descartado, não havendo forma viável de restituir, apropriadamente, a impermeabilidade.

pré-inflagem – Uma “quase inflagem”, puxando só um pouco os tirantes de ataque contra o vento, sem chegar a levantar o velame do chão, apenas para fazer entrar um pouco de ar e posicionar, preparando para a efetiva inflagem.

pressão dinâmica – Pressão do ar que varia devido aos deslocamentos do mesmo. Pode ser positiva ou negativa.

pressão estática – Pressão atmosférica ambiente, causada pelo peso de toda a atmosfera que está acima. É a pressão medida por barômetros e altímetros, a mesma que sentimos aumentar nos tímpanos ao mergulhar ou descer uma serra. Ver pressão negativa e positiva, pressão dinâmica, pressão total…

pressão interna – Gerada pelo vento relativo entrando pelas bocas das células, mantém o velame inflado enquanto for positiva.

pressão negativa – Pressão que puxa, sucção.

pressão positiva – Pressão que empurra.

pressão total – Soma das pressões estática e dinâmica, ou seja, a pressão que sentimos sobre o corpo ao nos deslocarmos através do ar.

quadrante – Um quarto de círculo. Usa-se para se referir a um rumo aproximado, por exemplo: quadrante norte, que abrange norte, nordeste e noroeste.
resinagem – Tratamento recebido, na tecelagem, pelo nylon de que é feito o velame, com a finalidade de eliminar a porosidade.

rip-stop – O nylon dos velames é conhecido como rip-stop (em inglês, para-rasgo), devido ao visível quadriculado de trama mais intensa, destinado a diminuir o alastramento de eventuais rasgos.

roldana – Roldanas costuradas aos tirantes de fuga, por onde passam as linhas de freio antes de chegar aos batoques. Ou as roldanas por onde passam as linhas do speed sistem (acelerador).

rotação – Movimento da Terra ao girar sobre sí própria, de oeste para leste, em torno do eixo que liga os polos. Origina a alternância entre dias e noites.

rotor – Movimento descendente e turbulento, próprio do vento no lado oposto, nas encostas, ao que o vento sopra.

salto – Sapatos tem salto, Itú tem salto, olimpíadas tem saltos de todo tipo, paraquedistas saltam e sapos pulam. Pilotos de voo-livre apenas saltam de raiva quando alguém se refere à decolagem como salto. Portanto, parapente decola e voa, sem nenhum salto. Ver decolagem.

sobrecobertura – Velame de área excessiva em relação ao peso do piloto, causando problemas de instabilidade e falta de velocidade. Ver subcobertura.

speed – Acelerador acionado empurrando um estribo ou barra com os pés.

stall – Ver estol.

subcobertura – Velame de área insuficiente para o peso do piloto, causando problemas de excesso de taxa de queda e velocidade no pouso. Ver sobrecobertura.

termal – Ver térmicas.

térmicas – Correntes de ar quente ascendentes que, apesar de sua natureza turbulenta, proporcionam os mais altos e longos voo, sendo buscadas, portanto, à partir de um certo estágio do aprendizado.

térmicas de rotor – Termais geradas na sombra do vento, cujo gatilho de desprendimento é o próprio rotor.

translação – Movimento da Terra em sua órbita ao redor do Sol, completado em um ano.

trimer – Sistema que, por meio de fivelas nos tirantes de fuga, permite alterar o ângulo de ataque e, conseqüentemente, a velocidade e o a estabilidade do paraglider. Utilizado atualmente apenas em equipamento experimental ou de competição.

varar – Refere-se ao lift, às térmicas ou a área de pouso, em todos os casos, significando passar sem desfrutar.

vela – Ver velame.

velame – Parte principal do equipamento, constituída pela asa de nylon. Geralmente refere-se ao conjunto formado por asa, linhas e tirantes.

ventaca – Vento forte, que dificulta ou impossibilita o voo.

vento de cauda – Vento que vem detrás da direção de voo ou detrás da rampa.

vento meteorológico – Vento determinado pelas condições atmosféricas, ou vento real.

vento real – Ver vento meteorológico.

vento relativo – Movimento relativo entre o ar e a asa, ou seja, velocidade-ar. Diferentemente dos veículos terrestres, onde resulta da combinação entre o vento real e o deslocamento do veículo, o vento relativo em voo tem pouca ou nenhuma relação com o vento real.

vetor – Definido no dicionário como “segmento de reta orientado”, significa “o que leva”, indicando o rumo para o qual uma força é aplicada.

voo-livre – Esporte aéreo em que se voa com asas não motorizadas que permitem decolar sem auxílio de reboque ou tração além das pernas do piloto. Até o advento do paraglider, a única forma de voo livre era asa-delta, hoje ambas constituem o mundo do voo livre.

wing over – Manobra em que o piloto realiza sucessivas curvas alternadamente para a direita e a esquerda, sendo curvas fortes a ponto de produzir acentuada pendulagem lateral.