Respostas às perguntas mais frequentes:

Afinal, é parapente ou paraglider?

Parapente é o nome francês (pronuncia-se parrapant), sendo para de parachute (paraquedas) e pente de encosta, ou declive, ou seja, significa paraquedas de montanha.

Paraglider é o nome inglês, sendo para de parachute e glider de planador, ou seja, significa paraquedas planador.

Paragliding, em inglês, é o ato de voar de paraglider, portanto o nome do esporte nessa língua.

Qual a relação com o paraquedas?

O paragliding e o paraquedismo são esportes totalmente diferentes, mesmo a semelhança na aparência existe apenas para o leigo pois, apesar de ambos serem feitos de nylon e linhas, o paraglider tem um perfil muito mais aerodinâmico, sendo realmente uma asa, ou seja, voa, enquanto o paraquedas apenas “cai freado”.

Comparar os dois esportes não tem muito sentido, pois o “barato” de cada um é diferente. Enquanto o paraquedista busca a forte e rápida adrenalina da queda livre, o voador busca um leque de sensações diferentes que se alternam durante as várias fases de voos que podem durar horas.

Qual a relação com a asa-delta?

Até o final da década de 1980 a asa-delta era a única forma de voo livre, até o surgimento do paraglider. Atualmente ambos formam o universo do voo livre, ou seja, são as únicos meios de voar sem motor, reboque ou qualquer outro recurso além do seu próprio equipamento e o vento.

Existe paraglider motorizado?

Sim, é o chamado paramotor, onde se usa um velame especialmente projetado para utilizar com o motor, que vai fixado num chassi onde é suspensa a selete (cadeirinha). O paramotor permite decolar do chão plano e voar ganhando altura e distância dependentes apenas da autonomia proporcionada pela quantidade de combustível. O voo de paramotor exige toda uma formação específica que deveria iniciar após o aprendizado do voo livre, ou seja, o parapente normal, sem motor. Embora algumas escolas estejam ensinando diretamente na modalidade motorizada, isso não é recomendável pois, além da dificuldade de aprendizado que é equivalente a de ensinar a andar de moto quem não sabe nem andar de bicicleta, a formação do piloto acaba um tanto inconsistente.

O motor permite decolar do chão plano, além de ganhar altura sem auxílio de ar ascendente. A autonomia depende da quantidade de combustível, seriamente limitada numa forma de voo em que o trem de decolagem são as pernas do piloto (soube que estão usando triciclos como trem de decolagem e pouso, é a evolução!).

Em termos de satisfação pessoal, voar com motor está para o voo planado assim como navegar de lancha está para velejar.

Existe reboque de paraglider?

Sim, inclusive os primeiros recordes mundiais de distância em voo foram batidos em planícies sul africanas, onde, devido a ausência de elevações, as decolagens são feitas à partir de voos rebocados (A partir de 2013 esses recordes tem sido obtidos na região de Quixada – CE, a partir de decolagens normais, de montanha, que tem proporcionado voos de mais de 500 km!).

O reboque de paraglider é atividade potencialmente perigosa, que exige equipamento adequado e conhecimento perfeito de como manejá-lo. Envolve um veículo rebocador (geralmente um automóvel ou uma lancha) equipado com um guincho provido de freios adequados e cabo especial, tudo com uma série de dispositivos para manter uma tensão ideal que, se ultrapassada, pode fazer o paraglider entrar em lockout, que é como uma pipa com pouca rabiola cabeceando… até o chão!

Com veículo, guincho, operadores e procedimento adequados, pode-se rebocar até alturas de algumas centenas de metros, de onde o piloto se liberta do cabo de reboque e passa a voar em busca de termais, como se houvesse decolado normalmente, de uma montanha. O reboque por lanchas tem sido bastante utilizado para decolagens em SIV (Simulação de Incidentes de Voo), realizados sobre represas para atenuar impactos de pousos forçados em situações colapsadas ou acionamento de paraquedas reserva.

É perigoso voar de paraglider?

Apesar de potencialmente perigoso, o piloto pode escolher o grau de risco que irá correr, desde que tenha formação adequada não apenas em técnicas de pilotagem como também meteorologia e aerologia, além de voar com equipamento adequado ao seu peso e nível de pilotagem. Erros causados por imprudência e/ou falta de informação causam a grande maioria dos acidentes que tornam o voo-livre (paraglider e asa-delta) um dos esportes estatisticamente mais perigosos. Pilotos bem formados, voando dentro das normas de segurança, ficam fora dessas estatísticas, correndo menos risco do que ao viajar de carro.

Paraglider é mais seguro do que asa-delta?

Certas características do paraglider como a leveza do equipamento, a baixa velocidade de voo e a facilidade do pouso podem causar a falsa impressão de que o glider seja menos perigoso do que a asa, quando na verdade os riscos envolvidos são equivalentes.

É mais fácil aprender a pilotar o paraglider por ele ser mais leve, lento e fácil de pousar, tudo isso devido a ausência de estrutura rígida. Mas justamente a lentidão e a possibilidade de colapsos (fechamentos) da vela o tornam muito mais sensível a turbulências e aumentos da velocidade do vento, exigindo do piloto mais conhecimento do comportamento da atmosfera do que qualquer outro esporte aéreo.

Uma das causas de acidentes com paraglider é, justamente, menosprezar os riscos devido a facilidade do aprendizado e a aparente simplicidade do equipamento.

Quanto tempo dura um voo de paraglider?

Os primeiros voos costumam ser “prego” (direto da decolagem ao pouso), durando poucos minutos. Mas, assim que o piloto começa a aprender como aproveitar as correntes de ar ascendentes, torna-se comum voar durante horas. Os recordes de distância tem sido quebrados em voos cuja decolagem ocorre antes das 8h00 e o pouso após as 17h00, em voo ininterrupto!

A que altura e distância se pode chegar?

Sabendo aproveitar bem as térmicas (porções de ar quente ascendentes) pode-se chegar à mais de 2.000 metros acima da decolagem e, voando de térmica em térmica, pode-se percorrer dezenas e até centenas de quilômetros de distância.

O paraglider é dirigível?

Sim, através de duas alças (uma em cada mão) chamadas de batoques e também inclinando o corpo como um ciclista, o piloto controla totalmente seu rumo. Há também o speed-sistem, um acelerador acionado com os pés.

Como o paraglider sobe?

Apenas voando dentro de porções de ar ascendentes, que podem ser de duas espécies: O lift, que é o vento que sobe ao soprar contra a encosta das montanhas; e as térmicas, que são como “bolsas” de ar que sobem por estar mais quentes que o ar circundante.

Como o paraglider desce ?

Na verdade geralmente a questão é como subir, o piloto se esforça para isso procurando voar dentro de porções de ar ascendentes, único modo de ganhar altura. Basta sair de dentro das ascendentes para descer. Também existem manobras para apressar a descida, como orelhas (fechamento proposital e controlado das pontas do velame), curvas fechadas, espirais e outras.

E se o paraglider não abrir ?

Este risco não existe na decolagem, pois o primeiro passo é tirá-lo da mochila e abri-lo na rampa. O paraglider já decola aberto, portanto.

E se o paraglider fechar ?

Em caso de fechamentos durante o voo, que podem ocorrer devido a turbulências e/ou erros de pilotagem, a tendência do equipamento é de reabrir naturalmente, mais rápido ainda com intervenção adequada do piloto. Os primeiros voos devem ser em condições lisas (não turbulentas), para evitar que o aluno passe por panes antes antes de saber lidar com elas.

Há vários tipos de fechamento, também chamados de panes ou colapsos do velame, alguns utilizados propositalmente na pilotagem, como o fechamento de orelhas. Todas as panes são estudadas durante o curso, sendo que ao final da formação o piloto aprende a provocá-las propositalmente em condições controladas, para treinar os procedimentos de controle e reabertura.

É importante saber que existem equipamentos de níveis diferentes, adequados especificamente para pilotos iniciantes, intermediários ou de competição. Os de nível mais avançado fecham mais fácil e exigem mais intervenção do piloto para reabrir. O tamanho do velame em relação ao peso do piloto e o tipo de selete (cadeirinha) também influem no comportamento em relação à segurança.

E se o vento aumentar de repente?

Alterações na velocidade ou direção do vento parecem ocorrer repentinamente para o leigo, mas unindo conhecimento teórico com experiência prática, bons pilotos sempre percebem sinais dessas alterações com suficiente antecedência. Por isso é essencial aprender meteorologia especialmente voltada ao voo de paraglider e passar por um período de voos com supervisão do instrutor antes de voar por conta própria.

Há limites de idade para voar paraglider?

A idade mínima, determinada por regulamentação da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), é 18 anos ou 16 anos com autorização expressa de pais ou responsáveis. Não há um limite máximo, basta que a pessoa não tenha nenhum problema de saúde como impedimento ortopédico, cardíaco ou visual, por exemplo. Há alguns pilotos sexagenários, até mesmo de asa-delta, que exige muito mais fisicamente do que o paraglider.

Há mulheres voando de paraglider?

Sim, há excelentes pilotas e seu número tem aumentado cada vez mais, embora ainda sejam minoria em termos percentuais. Ao buscar o voo-livre, muitas mulheres optam pelo parapente atraídas pela leveza do equipamento. As competições são mista,s embora hajam eventos voltados às pilotas como o Saia para Voar, do qual chegam a participar dezenas de pilotas.

Como são as competições de paraglider?

Eis os principais tipos de provas:

Cross Country – Esta prova testa principalmente a habilidade do piloto em explorar o voo em termais e as transições, que são as passagens de uma termal para outra. Consiste em voar o mais longe possível em direção a um rumo pré determinado.

Triangulação ou Pilão (chamamos de pilão referências no solo que devem ser contornadas durante o voo) – Os pilotos devem voar seguindo um determinado percurso. Ganha quem completar o percurso, quando mais de um piloto completa, ganha quem fez em menos tempo.

Race to the Goal (Corrida ao Gol) – Ganha quem voar mais rápido até um local pré determinado.

Manobras – Neste tipo de prova, bem mais raro do que as outras, os pilotos executam manobras acrobáticas julgadas e pontuadas pelos juízes.

E se na hora de decolar eu não tiver coragem?

O aprendizado é gradual, as primeiras aulas são em terreno plano, onde o aluno adquire controle sobre o equipamento ainda com os pés no chão. Os primeiros voos são a poucos metros do solo e a altura aumenta gradualmente, junto com a confiança do aluno no equipamento e em suas próprias reações. Embora não seja obrigatório, costumam ser feitos também alguns voos duplos com o instrutor. Se, mesmo assim, no dia da formatura (primeiro voo solo de rampa) o nervosismo estiver acima do tolerável, havendo risco de comprometer a segurança, adia-se a formatura para depois de mais alguns treinos.

É difícil aprender a pilotar?

A complexidade da pilotagem não é muito maior do que a de dirigir automóveis, assemelhando-se muito a de pilotar motocicleta. Mas o fator risco e a adrenalina resultante de não poder simplesmente encostar o glider no meio fio se houver algum problema, exigem especial cuidado em seguir uma sequência didática correta, com equipamento adequado e uma relação de confiança absoluta entre aluno e instrutores. Neste caso o aprendizado, além de ser fácil, é agradável. Por isso dizemos que o paraglider é um esporte que já é lazer de alta qualidade desde as primeiras aulas.

Quanto custa o curso e o equipamento?

Um bom curso básico custa cerca de novecentos dólares, com equipamento da escola, e habilita para os primeiros voos. O preço do curso intermediário, que completa a formação, varia muito pois é feito com equipamento do aluno e as escolas costumam dar descontos no curso quando vendem o equipamento.

Um equipamento novo, completo (velame e cadeirinha com proteção de coluna e paraquedas reserva), top de linha, das melhores fábricas do mundo, mais os eletrônicos (rádio HT, windmeeter e alti-vário), sai por cerca de US$ 4.000, mas com metade deste valor é possível encontrar equipamento de segunda mão em bom estado.

O paraglider é regulamentado?

Sim, existem federações, clubes e associações em nível mundial, federal, estadual e local. No Brasil o orgão que regulamenta o espaço aéreo é a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) que delega à CBVL (Confederação Brasileira de voo Livre) e às associações estaduais e clubes locais a tarefa de regulamentar o voo livre.

Mas saiba que, por caber numa mochila e poder decolar de qualquer morro, o paraglider é anárquico por natureza, sendo que o bom senso aliado à prudência é o melhor dos regulamentos, o menos sujeito à falhas e o único que não pode ser burlado. Por isso, informe-se o melhor possível em fontes diferentes, principalmente na hora de escolher sua escola!